- Hoje o dia foi foda! To morto.
- Hoje o dia foi foda! To morto.
- Todo dia você fala isso.
- E a culpa é minha? Todo dia é foda! O que eu posso fazer?
- Reclamar menos, talvez?
- E o que isso vai resolver, João? Meus dias vão ser menos fodas?
- Não, mas você vai ser menos chato.
- Não me enche o saco, velho. Aproveita que você tá em pé e pega uma cerveja.
- Acabou.
- O que? Como assim acabou?
- Acabou.
- Porra, João. Além de encher o meu saco você toma a cerveja toda e não compra mais?
- Eu nem tô tomando cerveja, Fabio. Já te falei mil vezes que eu tô de quaresma.
- E quem tomou a cerveja, então?
- Caralho, Fabio. Moram duas pessoas nessa casa. Se não fui eu, quem foi, gênio?
- Puta merda, João ... Eu tô com sede!
- Desce e compra no Maletta! Ou, então, pede entrega. Em uma hora eles entregam.
- Uma hora? Daqui uma hora eu quero estar dormindo. Amanhã eu acordo cedo. Meu dia vai ser foda.
- Ah não brinca ...
- Vai se foder, João. Tô cansado. Vou dormir. Boa noite.
- Boa noite, Einstein.
...
...
- Ah, foda-se. Cadê o telefone faz entrega?
Fábio e João são irmãos, têm vinte e poucos anos e dividem um apê no Centro de BH. Toda quinta-feira eles aparecem aqui no Escrevi em mais uma aventura (nem um pouco emocionante) da vida normal.