A indústria alimentícia integra aos pacotes — sejam eles os tradicionais, extra fortes, superiores, premiums e afins — matérias-primas como milho e soja para avolumar a produção e baratear os custos.
A indústria alimentícia integra aos pacotes — sejam eles os tradicionais, extra fortes, superiores, premiums e afins — matérias-primas como milho e soja para avolumar a produção e baratear os custos.
Ou seja, adiciona na sua xícara, via marketing — e uma torra escura, capaz de mascarar defeitos -, a ilusão de uma designação de qualidade para camuflar contrariedades.
Menos dramática é a composição entre as espécies arábica e robusta, a primeira, sensorialmente complexa, e a segunda, mais corpulenta e rica em cafeína; os blends apresentados em cafeterias especiais, forjados em pesquisa científica e empirismo que, mesclando variedades distintas, desenvolvem diferentes e instigantes perfis de sabor, seja para estimular papilas, seja para desenvolver produtos exclusivos e personalizados; ou ainda as mutações, os blends evolutivos, que absorveram ao longo do tempo toda sorte de modificação no clima, na geologia e demografia humana.
Preâmbulo sorvido, entendemos que grãos de origem única não são necessariamente melhores — embora carreguem características exclusivas e singulares sobre o bioma onde foram cultivados — e que nem todo blend é uma fraude.
Até aqui, no campo da bebida, fica claro o uso da ciência e, ademais, de forma geral — salvo a infame indústria alimentícia -, não se corrompeu nenhum valor ou norma moral nos campos aventados.
Bom, nesse caso, a própria ciência, mesmo na etapa de especulação incipiente, já teria mecanismos de freio que nem permitiria o avanço dessa hipótese, barrada pelo campo da filosofia ética. Ou seja, para que ela existisse no mundo real, ela teria de ser acientífica e antiética.
Mas, por mais paradoxal que seja, ela está em curso.
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O labradoodle |
Ato contínuo, manifestou remorso e fez um apelo por coibir esses experimentos, demandados por um mercado ansioso por customizações de seus caprichos estéticos, sem maiores pudores morais. Existe até uma expressão para essa tendência: “cachorro design”. Acho que podemos parar por aqui neste tema. {link aqui para mais detalhes, em reportagem da BBC.}
Neste ponto do texto, após misturas evolutivas e maquinadas, processos naturais e artificiais, estamos prontos para assimilar a fala do criador do Playstation, um dos consoles mais icônicos da história dos games.
Ken Kutaragi, 71 anos, é avesso a ideia do metaverso, pois entende que se trataria de uma artificialização forçada em busca de um significado. Ele acredita numa evolução de costumes onde o mundo real e o cibernético coexistam naturalmente, como consequência de necessidades existentes (e nascidas) no primeiro ambiente. {link aqui para mais detalhes, em reportagem da Bloomberg.}
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Você não gosta do metaverso, mas sua empresa gosta! |
Foi esse contraponto da esfera das tecnologias e de negócios que permitiu essa longa digressão sobre o fluxos e misturas.
Entremeado por paralelos históricos e filosóficos, o texto pondera que o ato de mergulhar espiritualmente no agora apenas faz sentido para aqueles cuja realidade é “bonita e prazerosa”. Não à toa que o termo, em inglês, tenha sido popularizado no Vale do Silício, uma espécie de Disney, sem os problemas mundanos e aporrinhações que nos são frequentes.
Por esse prisma, para quem vive entre tédios e aborrecimentos, fugir do presente é quase terapêutico. No entanto, como a fuga não pode ser eterna, recomenda-se um blend emocional, onde se propõe misturar a dureza existencial com o placebo dos devaneios, no que seria uma receita mais condizente com a evolução que nos trouxe até os tempos atuais.